segunda-feira, 27 de abril de 2009

A turminha do barulho que revela todas as altas confusões do Congresso

A maior parte dos casos recentes de mau uso do dinheiro público no Congresso foi revelada por um site chamado Congresso em Foco. Desde que foi criado, sua redação enxuta ombreia com as maiores do país na cobertura das conchas pra cima e pra baixo. E o mais interessante é que o conteúdo sai apenas online e eles têm poucos recursos além de cabeças, computadores e tesão pela notícia.

Na última semana, o nome do site foi citado por vários deputados e senadores que se defendiam, bem como por diversos jornais e revistas.

Acho interessante o modelo de negócio do Congresso em Foco. Ao usar a internet como plataforma, eles cortam os custos mais pesados de fazer uma publicação. Ao escolher um tema muito definido - a cobertura do Congresso - em detrimento de tentar cobrir de tudo um pouco, eles conseguem aproveitar ao máximo uma redação enxuta pra fazer coisas de impacto. E, ao apostar principalmente na produção de material exclusivo, em vez do tradicional controlcê-controlvê da imensa maioria do jornalismo online, eles conseguem furar meios de comunicação com muito mais recursos e tradição, e de sobremesa ainda deixam suas excelências espumando de raiva.

Conheço um pedaço dessa turma, um tanto de acompanhar o trabalho deles, outro tanto por trocar alguns e-mails com eles às vezes. Mas nunca tive o prazer de visitar a redação do site. Pois agora o colunista Bezerra Couto conta os bastidores da redação do Congresso em Foco durante os agitos da semana passada. Um trecho:

    Lúcio baba de raiva ao ver Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), um dos que usaram a cota para viagens ao exterior, dizer que estava à disposição do Congresso em Foco e do Ministério Público para demonstrar sua completa inocência no caso das passagens. “Porra, a gente publicou a explicação dele, e ele fica aí tentando passar a ideia de que não foi ouvido”. Arnaldo Faria de Sá fala que o site informou que ele usou a cota em 43 voos internacionais, quando ele só reconhece uma viagem, aos Estados Unidos. “O cara não acerta nem o número, nós falamos em 29 voos”, observa Militão.

    O próximo deputado a falar em plenário é Ciro Gomes (PSB-CE), que está irritado porque o nome da sua mãe entrou na lista publicada pelo Congresso em Foco. Diz que é uma “grosseira mentira” afirmar que sua mãe foi aos Estados Unidos com passagem paga pela Câmara. Sustenta que ela não fez uma das viagens constantes da lista, e que “pagou sua passagem com recursos próprios” em outra oportunidade. E ataca “a plutocracia e seus serviçais na grande mídia”. “Oba, já somos grande mídia”, comemora Eumano efusivamente.

    Lúcio não tem a mesma calma. “Não importa se a mãe dele viajou ou não viajou, o que importa é que a Câmara pagou”, esbraveja, fazendo referência ao lado policial da farra das passagens. Ou seja, ao fato de a Câmara ter pago na cota parlamentar vários bilhetes que depois foram revendidos criminosamente no mercado paralelo. Eumano, mineiramente, tenta amansar o repórter: “Calma, Lúcio, calma. Olha o tamanho do estrago que nós fizemos. É impossível dar uma porrada dessas e não ter reação”. Edson estranha o tom do discurso do deputado pavio curto, já que falara pouco antes com Ciro, e ele se referiu ao site de modo muito respeitoso – tom semelhante ao da nota recebida e publicada pelo Congresso em Foco.

    (...) Minutos depois, a repórter Daniela liga do Congresso contando que ela e uma colega da Folha, ambas jovens e talentosas jornalistas, haviam sido destratadas por Ciro Gomes (confira). Eumano não se conforma: “Aí é covardia. Por que não faz isso com marmanjo?”. O chefe arremata em tom de lamentação: “E a gente procurando o sujeito pra dar a ele todo espaço do mundo para se manifestar...” Renata, que havia voltado à redação, informa que a assessoria do Ciro tinha ficado de mandar na segunda-feira a nota que chegara minutos antes, após publicada a matéria. Lúcio explode de novo, demonstrando que falar palavrões não é monopólio do destemperado Ciro. Na parte publicável dos seus comentários, questiona: “Cadê os comprovantes do Ciro para mostrar que pagou as viagens? Por que ele não explica direito em vez de desrespeitar a imprensa? O problema é que os caras não têm o que dizer”.

sábado, 25 de abril de 2009

Trabalhos recentes

Ando sumido porque ando com bastante trabalho.

Saiu recentemente uma matéria minha na Wired News, sobre a Operação Satélite. Ela ocorreu no começo de março, e por mais curioso que fosse o assunto (brasileiros invadindo satélites americanos para se comunicar), ela foi imensamente mal coberta na imprensa brasileira. Acabei fazendo uma matéria mais aprofundada para a Wired:

The Great Brazilian Sat-Hack Crackdown

Deu repercussão no Slashdot e no Boing Boing, dois blogs muito acessados pelos aficionados por tecnologia. Por dois dias, foi a segunda matéria mais lida do site da Wired.

Na semana passada, também estive em Natal para dar uma palestra num encontro dos assessores de imprensa da Justiça Eleitoral. Sou muito grato ao trabalho deles: foram as assessoras do TRE-SP, por exemplo, que me ensinaram há quase 10 anos toda a base que eu tenho de lei eleitoral. Não sou especialista no assunto, mas sei hoje o suficiente pra cavar boas pautas e cobrir eficientemente uma eleição. Duas delas estavam lá nesse encontro.

Minha palestra começou em 1766, com a primeira lei de acesso a informações públicas do mundo, e terminou em 2010, com minhas sugestões para a Justiça Eleitoral incorporar ferramentas da Web ao seu trabalho. Vejam abaixo a apresentação:

Apresentação TSE - Web 2.0 Apresentação TSE - Web 2.0 Marcelo Soares

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Meu outro blog

Não esqueci o Dicas, embora esteja meio sumido.

Ando meio na correria com vários trabalhos. Mas meu blog de política, o "E Você Com Isso?", acaba de passar para o portal da MTV. Ainda estou brigando com o Wordpress pra aprender a postar direito sem que os textos sejam engolidos. O link novo é este aqui:

E Você Com Isso?

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terça-feira, 7 de abril de 2009

Uma mulher de coragem


Essa moça bonita no centro da foto é uma mulher jurada de morte e vive no exílio.

Conheci a jornalista Sonali Samarasinghe, do Sri Lanka, em setembro do ano passado, em Lillehammer, na Noruega. Ela foi à Conferência Global de Jornalismo Investigativo para receber o prêmio Daniel Pearl de Coragem no Jornalismo. Ela fez o discurso mais forte e ao mesmo tempo doce que já ouvi. Estou exatamente agora bebendo um chá que ganhei dela.

Quatro meses após a premiação, em janeiro, seu marido, o jornalista Lasantha Wickramatunga, foi assassinado a tiros, na porta de casa, depois de ser seguido por dois homens numa moto. O jornal dos dois, The Sunday Leader, fazia fortes críticas ao governo do Sri Lanka, uma "ditadura ao estilo de Zimbábue, governada por uma junta militar como a de Burma", segundo Sonali descreveu ao Guardian em fevereiro.

Até hoje, o governo não fez nada a respeito da morte do marido da Sonali. O caso está na agenda de preocupações do Departamento de Estado dos EUA.

Sonali precisou deixar o país em fevereiro, depois que um vizinho alertou sua irmã de que dois homens numa moto igual à que seguiu seu marido no dia do assassinato estavam rondando sua casa.

Completamente desligado da Ásia, só fiquei sabendo disso agora. Dá uma tristeza imensa. Especialmente sabendo que não é a primeira vez e nem será a última em que eu vejo coisas assim acontecerem com gente com quem simpatizo.