Na última semana, o nome do site foi citado por vários deputados e senadores que se defendiam, bem como por diversos jornais e revistas.
Acho interessante o modelo de negócio do Congresso em Foco. Ao usar a internet como plataforma, eles cortam os custos mais pesados de fazer uma publicação. Ao escolher um tema muito definido - a cobertura do Congresso - em detrimento de tentar cobrir de tudo um pouco, eles conseguem aproveitar ao máximo uma redação enxuta pra fazer coisas de impacto. E, ao apostar principalmente na produção de material exclusivo, em vez do tradicional controlcê-controlvê da imensa maioria do jornalismo online, eles conseguem furar meios de comunicação com muito mais recursos e tradição, e de sobremesa ainda deixam suas excelências espumando de raiva.
Conheço um pedaço dessa turma, um tanto de acompanhar o trabalho deles, outro tanto por trocar alguns e-mails com eles às vezes. Mas nunca tive o prazer de visitar a redação do site. Pois agora o colunista Bezerra Couto conta os bastidores da redação do Congresso em Foco durante os agitos da semana passada. Um trecho:
- Lúcio baba de raiva ao ver Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), um dos que usaram a cota para viagens ao exterior, dizer que estava à disposição do Congresso em Foco e do Ministério Público para demonstrar sua completa inocência no caso das passagens. “Porra, a gente publicou a explicação dele, e ele fica aí tentando passar a ideia de que não foi ouvido”. Arnaldo Faria de Sá fala que o site informou que ele usou a cota em 43 voos internacionais, quando ele só reconhece uma viagem, aos Estados Unidos. “O cara não acerta nem o número, nós falamos em 29 voos”, observa Militão.
O próximo deputado a falar em plenário é Ciro Gomes (PSB-CE), que está irritado porque o nome da sua mãe entrou na lista publicada pelo Congresso em Foco. Diz que é uma “grosseira mentira” afirmar que sua mãe foi aos Estados Unidos com passagem paga pela Câmara. Sustenta que ela não fez uma das viagens constantes da lista, e que “pagou sua passagem com recursos próprios” em outra oportunidade. E ataca “a plutocracia e seus serviçais na grande mídia”. “Oba, já somos grande mídia”, comemora Eumano efusivamente.
Lúcio não tem a mesma calma. “Não importa se a mãe dele viajou ou não viajou, o que importa é que a Câmara pagou”, esbraveja, fazendo referência ao lado policial da farra das passagens. Ou seja, ao fato de a Câmara ter pago na cota parlamentar vários bilhetes que depois foram revendidos criminosamente no mercado paralelo. Eumano, mineiramente, tenta amansar o repórter: “Calma, Lúcio, calma. Olha o tamanho do estrago que nós fizemos. É impossível dar uma porrada dessas e não ter reação”. Edson estranha o tom do discurso do deputado pavio curto, já que falara pouco antes com Ciro, e ele se referiu ao site de modo muito respeitoso – tom semelhante ao da nota recebida e publicada pelo Congresso em Foco.
(...) Minutos depois, a repórter Daniela liga do Congresso contando que ela e uma colega da Folha, ambas jovens e talentosas jornalistas, haviam sido destratadas por Ciro Gomes (confira). Eumano não se conforma: “Aí é covardia. Por que não faz isso com marmanjo?”. O chefe arremata em tom de lamentação: “E a gente procurando o sujeito pra dar a ele todo espaço do mundo para se manifestar...” Renata, que havia voltado à redação, informa que a assessoria do Ciro tinha ficado de mandar na segunda-feira a nota que chegara minutos antes, após publicada a matéria. Lúcio explode de novo, demonstrando que falar palavrões não é monopólio do destemperado Ciro. Na parte publicável dos seus comentários, questiona: “Cadê os comprovantes do Ciro para mostrar que pagou as viagens? Por que ele não explica direito em vez de desrespeitar a imprensa? O problema é que os caras não têm o que dizer”.

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