Mas eu sou minoria. No Twitter, está uma choradeira braba - o famoso #mimimi. O pessoal reclama coisas como "de que adiantou estudar?". Já vi gente dizendo coisas como "paguei na faculdade o equivalente a um carro zero, quem me devolve agora?" A mais engraçada é "e agora, que qualquer analfabeto pode tirar meu emprego?"
Discordo veementemente. A queda da obrigatoriedade não proíbe o funcionamento das faculdades e nem torna ilegais os diplomas já expedidos e a expedir. O diploma não "foi derrubado" nem "está extinto", como dizem alguns comentários.
Estudar jornalismo pode ser bastante útil para se tornar um jornalista, se o curso for bom. Algumas empresas continuarão contratando apenas formados, e é razoável. A desobrigação só tornará inúteis os quatro anos de estudo de jornalismo em dois casos:
- 1) Quando sua faculdade é muito ruim e nada que você aprenda nela vai acrescentar absolutamente coisa alguma ao que você já traz de casa ou pode aprender na prática. Nesse caso, é uma boa oportunidade pra mudar pra uma melhor ou mudar de curso. Ou largar de vez e procurar um trampo (emprego é raridade hoje em dia) em jornalismo.
2) Quando você quer comprar um canudo em prestações, e não refinar sua formação. Nesse caso, lamento, mas nem se o diploma continuasse obrigatório você conseguiria um lugar ao sol no mercado. Largue a faculdade e aproveite o tempo extra para estudar para algum concurso público. Estabilidade garantida, fim de semana, feriados, férias, licenças, aposentadoria, etc. Para você, será muito melhor do que o cenário complexo de incertezas que o jornalismo enfrenta hoje, e poupará seus pais de decepções futuras.
De qualquer forma, acho que vai ser uma bela oportunidade para as faculdades mostrarem na prática para que servem. Um bom começo seria melhorar MUITO o que ensinam, refinar MUITO o pensamento que se produz sobre jornalismo lá dentro.
Mais sobre esse ponto específico neste post de há alguns dias.
- EDITADO: Faltou mencionar um dos argumentos ruins do mimimi. Como disse o meu veterano da UFRGS Tiago Jucá, se você tem medo de concorrer com analfabetos, melhor plantar batatas.
"How to Lie with Statistics"
"Precision Journalism"
"A Mathematician Reads the Newspaper"
"Freakonomics"
"A Lógica do Cisne Negro"
"Ensaios Céticos"
28 comentários:
Marcelo, como sempre, ótima análise. Assino embaixo. Só não compartilho o vinho. Vou comemorar com um chazinho de laranja. Pode ser? :)
O importante é comemorar! Caiu mais uma imbecilidade herdada da ditadura.
Não é o diploma que faz o SER jornalista. Até um "analfabeto" pode ser um Bom jornalista.
A questão é mais profunda. E quem não percebe isto talvez não seja jornalista, com ou sem diploma.
Poderia o STF propor uma refornulação do curso de jornalismo. Lembro bem que nos idos dos anos 80 tínhamos ícones do jornalismo ensinando nas faculdades.
Veja bem: por um viés, acham que acaba-se com a obrigatoriedade do diploma em virtude do curso ser ruim. Posso citar dezenas de outros cursos que no Brasil são de péssima qualidade. Nem por isto acabam-se as obrigatoriedades. Aliás, direito é um deles. E quem nos julga?
prabéns por este post e pelo que vc indica nele sobre o assunto, principalmente. sou advogada, coisa que QUASE nem tem no Brasil atualmente, nem sou jornalista, e tentei explicar o mesmo com argumento muitoparecido par uma maiga que não é da área pq sou contar o mimi, e o que significa palavra obrigatorieddae. não saí vitoriosa, vou indicar ler seu blog!
Boa, Marcelo. Concordo contigo! Sou formado em Rádio e TV e não tive outra alternativa a não ser entrar na faculdade de Jornalismo para conseguir fazer um teste no jornal. O canudo é apenas um detalhe quando se busca melhorar pessoalmente.
Muito bom;concordo.Só não concordo é com o exagero contrário,o que não é o seu caso.
Oi, Marcelo. Concordo com vc. O diploma não garante a melhor pratica possível. Tudo está na dedicação para aprender, que pode se dar dentro ou fora do ensino formal. Depende sempre do indivíduo.
É sempre complicado, eu formei em Publicidade e Propaganda (que também é um ramo da Comunicação Social, e por incrivel que pareça, uns 15% das pessoas que entram no curso, entram pensando que ima fazer Jornalismo! Juro!)
Mas uma questão que sempre foi abordada no curso, era que até alguns anos atrás, qualquer um podia ser Publicitário - Washington Olivetto que o diga - e que com a instauração do curso de P&P o diploma era um meio separar o "joio do trigo", por assim dizer. O problema que hoje, principalmente no interior, os "publicitários" de verdade ainda são os designers que trabalham em gráficas e editoras... A questão do diploma é essa mesmo, não é um certificado que faz de você o que você é.
Agora eu também sou jornalista! =)
Cuide de seu emprego, parceiro!
Exatamente isso, pessoal. O negócio é nunca parar de aprender. Jornalista que se preza é um bicho curioso e está sempre querendo aprender. Faculdade nenhuma ensina curiosidade. Von Dews, não se preocupe: não tenho emprego há muito tempo, mas também nem quero (só se rolar alguma proposta muito boa). Emprego é uma coisa rara, e será cada vez mais. Mas trabalho sempre se acha, e muitas vezes bons. A questão é, novamente, estar qualificado. Sempre.
Seu comentário está lúcido e correto. Parabéns. Diploma não pode garantir nada pra ninguém. O que diferencia as pessoas é a atitude e a competência, a vontade de aprender um pouco que seja a cada dia, sempre.
"... la vida se encargará de decidir quién sirve y quién no sirve".
É isso que está escrito no site da FNPI - Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano (aquela do Gabriel Garcia Marquez) para explicar a razão de seus cursos não expedirem diplomas nem fazerem provas.
Precisa mais?!
Alegria! A apropriação de conhecimentos em regimes de disciplina é um projeto autoritário e estratégico.
marcelão, meu ídalo! a tia, aqui, que não se acha melhor que ninguém porque fez escola pública vida inteira, desde guriazinha lá no IAPI, se ferrou pra terminar a facul com dois empregos, etc etc etc (mimimimimimimi) protesta! Isso tudo vai servir pra piorar um mercado que já é uma merda natural, joga mais no lona a questão acadêmica porque as ditas instituções não vão se preocupar em melhorar nem curriculum nem docentes, e é um presentaço pra classe patronal - duvido que na hora de contratar pese apenas qualidade! Passo atrás, meu amigo. Vai por mim. 56 anos de idade no lombo, 36 de trabalho em redação. beijo grande da tua admiradora
Acredito que podemos propor novos projetos para a regulamentação da profissão que se faz tão necessária. Como "é melhor ser alegre que ser triste", prefiro não acreditar que as empresas sérias de jornalismo vão contratar mão-de-obra (com hífen!) barata para fazer reportagem, apuração, etc. Sou otimista e espero que, com a queda da obrigatoriedade do diploma, os bons profissionais se destacarão no mercado, as faculdades oportunistas irão eleger outro curso como disfarce de caça-níquel e os alunos que se prestarem a cursarem jornalismo exercerão a profissão com a devida dignidade que ela merece. Pode parecer utópico, mas, em suma, espero que se inicie um processo darwiniano.
Acredito que podemos propor novos projetos para a regulamentação da profissão que se faz tão necessária. Como "é melhor ser alegre que ser triste", prefiro não acreditar que as empresas sérias de jornalismo vão contratar mão-de-obra (com hífen!) barata para fazer reportagem, apuração, etc. Sou otimista e espero que, com a queda da obrigatoriedade do diploma, os bons profissionais se destacarão no mercado, as faculdades oportunistas irão eleger outro curso como disfarce de caça-níquel e os alunos que se prestarem a cursarem jornalismo exercerão a profissão com a devida dignidade que ela merece. Pode parecer utópico, mas, em suma, espero que se inicie um processo darwiniano.
Marcelo e leitores,
Quero incentivar uma discussão sobre fim da Lei de Imprensa e da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo baseado em vários posts que fiz desde o ano passado e na opinião de vários links contidos nesses meus posts.
Ainda, a posição do Rogério Christofoletti, professor da Univali que é um dos caras mais antenados às questões da ética e das tecnologias da comunicação e da informação (TICs), e da profª Ivana Bentes:
http://heliopaz.com/2008/09/22/diploma-de-jornalista-nos-termos-atuais-sou-contra/
http://heliopaz.com/2008/11/02/jornalismo-exigencia-do-diploma-coitadismo/
http://heliopaz.com/2008/11/02/esquerda-nao-sabe-usar-a-internet-nem-fazer-midia-alternativa/
http://heliopaz.com/2008/11/13/midia-ideologia-tendencia-hipocrisia/
http://heliopaz.com/2009/06/16/jornalismo-sindicatos-faculdades-diploma/
http://heliopaz.com/2009/06/18/queda-da-lei-de-imprensa-e-do-diploma-de-jornalismo-tendem-a-melhorar-o-setor/
http://tinyurl.com/lyy3a6
http://www.trezentos.blog.br/?p=1839
Por que diabos as criaturas são induzidas ou esperam ser empregadas ao invés de donas do próprio nariz?! Por que diabos o Santo Graal do bom salário, da fama, da infraestrutura adequada, do conhecimento de gente importante, da aprendizagem e do crescimento profissional é a mídia corporativa?!
Chega de clientelismo, corporativismo, paternalismo, oportunismo, arrogância, sectarismo, presunção e, acima de tudo, ignorância e exclusão feita tanto pela mídia corporativa quanto pelos sindicatos!
[]'s,
Hélio
Marcelo, muito boa a análise, já tratei de propagá-la via twitter. A precariedade dos argumentos contra o fim do diploma obrigatório são de chorar... Abs
Maristela, eu concordo com o Hélio em termos de achar problemático pensar em termos de emprego.
Acho que vai haver empresas que não se preocupam com qualidade e que vão aproveitar o ensejo pra cortar custos como der, mas é um péssimo negócio. Eu não trabalho para empresas que não querem qualidade.
Aliás, estou cada vez mais propenso a pensar em termos do meu próprio negócio, do meu próprio meio de comunicação. Com a internet, computadores e neurônios em bom estado de uso e conservação garantem o capital necessário pra começar. Não precisa mais comprar uma rotativa ou equipamentos caríssimos de transmissão.
Como citou a Nathalya, se agora não há diploma, a regulamentação se faz ainda mais necessária.
Aqui em Goiás, realmente não temos muitas empresas “sérias” e o fim da exigência do diploma vai apenas oficializar o que já é praticado.
Quanto à melhorar a qualidade dos nossos cursos, talvez seja a tarefa mais espinhosa que temos pela frente. Mas os estudantes têm que ficar espertos para não se tornarem vítimas disso e terem pró-atividade para sanarem as deficiências do ensino.
Muuuitoo Bom! Concordo com tudo que você falou Marcelo... o que faz a pessoa não é o Diploma, é o próprio aluno que tem que se capacitar para o Sucesso!.. Ameei a análise!
PS: Diferentemente da Natalie eu comPartilho do vinho! rsrs
Abraços!
Belo post, Marcelo. Preciosismo demais de alguns com a profissão achar que bons profissionais são aqueles com diploma debaixo do braço. Viva o talento, viva a liberdade e viva a comunicação. Convido-o para ler meu post sobre o assunto no link acima. Abraços, LB
Oi Marcelo, tudo bem?
Desde os tempos do Repórter do Futuro, sou sua fã. Quanto à sua opinião, acho muito bem argumentada. Estamos no tempo da informação fluida, onde o diploma de jornalista é algo desejável, mas não fundamental.
O único ponto que me preocupa, na questão do diploma, é a proteção dos profissionais, especialmente os da imprensa regional, a mais desprotegida.
Você teve sorte (e competência) por conseguir, logo cedo, uma vaga na Folha de S.Paulo, que te levou por outros lugares, e por aí vai.
Mas, infelizmente, conheço hoje muitas pessoas talentosas que não conseguem trabalho na área. Eu mesma vivo hoje em um jornal regional, aliado a diversos interesses com os quais não compartilho, e que não preza exatamente pela qualidade.
Não sei se o fim do diploma não irá ajudar esses jornalecos a piorar ainda mais a débil qualidade do jornalismo, especialmente no interior do país.
No entanto, sou otimista. Acredito que essa mudança vai nos ajudar a repensar o Jornalismo brasileiro, espero que para melhor. Grande abraço, Tati
Tati, eu já pensei bastante sobre essa questão dos jornais do interior. Tenho uma opinião muito pouco popular sobre eles.
Acho que não é uma questão pessoal, de que eu tive sorte e outros não têm. É uma questão de visão e postura profissional mesmo.
Muitos desses jornais menores que só se interessam por pintar papel servem a esquemas políticos locais. Um jornalista que trabalha para eles, independente de ter diploma ou não, independente de boa fé e vontade de fazer coisas legais, não consegue fazer muita coisa que não seja se adaptar ao esquemão. Porque quem paga a banda escolhe o repertório, basicamente. E esses jornais pagam mal, independente de o cara ter diploma ou não. Eu, pessoalmente, não trabalho pra esse tipo de contratante. Respeito demais meu trabalho pra chegar a esse ponto. Até porque fica no currículo, certo?
Assim sendo, acho até melhor esses jornais picaretas aproveitarem o ensejo pra dispensar os jornalistas, contratar o proverbial lixeiro semi-analfabeto no lugar do jornalista que se sujeita e quebrar por incompetência pura e simples, em vez de se manterem com um mínimo de aparência técnica garantida pelo suor de jornalistas insatisfeitos.
Se o que está em jogo é trabalhar para picaretas, eu pessoalmente prefiro mudar de cidade ou abrir meu próprio negócio.
E não é absurdo falar em abrir seu próprio negócio, mesmo considerando que jornalistas não costumam ter grana pra investir. Hoje, com a internet, quem tem uma cabeça e um computador, ambos em bom estado de uso e conservação, pode criar seu próprio meio de comunicação.
Em alguns estados do faroeste brasileiro, como Rondônia, há uma profusão de sites criados por jovens jornalistas para se contrapor aos esquemões da imprensa. Vários entram nos esquemões corruptos. Mas o mero fato de eles existirem demonstra que é possível fazer algo sem ser empregado.
ESSA é a grande questão. Há tempos, não precisa mais ter patrão pra exercer o jornalismo. Agora, não precisa mais de diploma.
Algum cara das próximas levas de jornalistas pode pegar um pouco de experiência, talvez estudar administração de empresas, sei lá, mas criar seu próprio jornal online de maneira competitiva e inteligente, fora do controlcê-controlvê. Aí é que vai começar a mudar o jornalismo brasileiro.
Marcelão,
Esse negócio de obrigatoriedade do diploma é igual ao Tratado de Tordesilhas. Já foi importante um dia, mas é uma bobagem nos dias de hoje.
Abração
Silvestrini
Olá, Marcelo.
Cheguei aos seus textos por meio de uma amiga jornalista e fiquei viciado. Já linkei ao meu blogue e acompanho, em especial, o "Dicas".
Acho importante toda essa discussão suscitada em função dos argumentos devidamente fundamentados que ela nos traz.
Muito dessa discussão, contudo, vem caregado de um tom muito passional. Concordo em plenitude com o comentador que ousou dizer que quem tem medo de concorrer com analfabetos, que plante batatas. Creio que a discussão esteja voltada principalmente para conhecer o que há de acontecer com os bons profissionais. Aos ruins, o mau mercado. Que os bons sequer queiram tomar seus lugares para que não prestem um serviço contraproducente à sociedade.
Também não consigo conceber que alguém que empreendeu 4 anos numa graduação em jornalismo tenha perdido seu tempo. O que ele recebeu ali ninguém tira. A formação é essencial em qualquer prática, venha ela pela graduação como a conhecemos hoje ou não.
Apesar de talvez não ser o mais indicado para levantar estes argumentos, por ser Engenheiro Químico e professor, sou extremamente curioso e gosto muito da Comunicação enquanto ciência e prática. Contudo, participo da questão enquanto cidadão e interessado. Gosto muito dos seus argumentos.
Um abraço.
Valeu, Wellington.
É exatamente isso. Acho que a questão da formação dos jornalistas é de fato A questão envolvida na questão da obrigatoriedade ou não do diploma. Qualquer outra questão, como reserva de mercado ou empregadores picaretas, tem relação indireta com a questão específica do diploma.
Volte sempre!
Opa, perdoe-me o typo no 3º parágrafo, 1ª linha: *carregado
Eaee Marcelo, o diploma pode não ser mais obrigatório, e sim, isso não necessariamente defini o BOM profissional de jornalismo, mas é de extrema importancia a FACULDADE, o CONHECIMENTO que você adquire, porque lá é onde você aprimora seu talento, se conhece melhor e aprende como fazer um argumento significativo sobre algum assunto.
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